13.10.15

Sinais de Apaziguamento (Parte 1)





Sequência da série de linguagem corporal canina. Dessa vez sobre os Sinais de Apaziguamento (Calming Signals), que são usados pelos cães como forma de expressar desconforto, ansiedade ou excitação em diversas situações.

Existem cerca de 30 sinais de apaziguamento que conhecemos hoje e são úteis para entendermos quando devemos remover nosso cão de alguma interação que o esteja incomodando, por exemplo.
Podem divulgar, imprimir e etc. Só não alterem as informações, vendam ou removam os créditos, pois, afinal, tive um certo trabalho para fazer a imagem.

Se tiverem alguma dica para futuras imagens, por favor, opinem! 

DIY - Como fazer um salto de agility com cano PVC


Finalmente! O vídeo saiu!!
Agora ficou mais fácil começar a praticar agility!



Esse post é voltado para quem sonha em começar a praticar agility com seu cão, mas encontra diversas dificuldades no meio do caminho. 

Como no Agility o obstáculo que mais aparece em uma pista é o salto, optei por fazer um vídeo que mostre como você pode fazer um, se não tiver habilidade com madeira ou solda (que é o meu caso).
O salto que faremos é uma versão mais simples do salto oficial  utilizado em competições, que é feito em ferro galvanizado.

Não é bem uma receita de bolo e você pode fazer mudanças no design se julgar necessário. Existem formas de montar um salto que economizam mais material, porém optei fazer dessa forma porque com essas medidas não sobrará nenhum resto de cano pela casa. Futuramente, penso em  fazer um novo vídeo  do salto sem as laterais, que certamente é o mais em conta, mas não é utilizado aqui no Brasil em provas.

Para construir este salto, você vai precisar de:
6 metros de cano PVC (40mm)
13 conexões T (40mm)
 8 caps (40mm)
 2 joelhos (40mm)
1 folha de lixa
1 caneta ou lápis
  6 carrapetas de torneira
 1 tubo de super cola
 1 trena
1 serrote
1 cabo de enxada (120cm)

Corte o cano PVC em peças de:
6 peças de 60cm
4 peças de 20cm
  8 peças de 14 cm
4 peças de 8 cm
 2 peças de 4cm


OBSERVAÇÕES

  • Sugiro que você inclua mais alturas no salto para facilitar o treino do seu cão. Quanto mais alturas, melhor para o cão aprender a saltar mais alto de forma gradual, eficiente e segura pra ele. Como as alturas máximas que os cães saltam são 35cm, 45cm e 65cm, uma sugestão seria marcar alturas de 5cm em 5cm até chegar na altura máxima. (ex: 20cm, 25cm, 30cm, 35cm....)

  • Ao invés de utilizar carrapetas, você pode atravessar parafusos pelo cano para ter uma fixação melhor. Melhor ainda seria se você comprasse mais conexões T para fazer outros suportes para o salto e os colasse na altura que você definir, sem a necessidade de regular o salto para variar a altura.

  • Evite colar o pé do salto para facilitar o transporte.

  • Você pode colocar areia ou pedrinhas dentro do salto para deixá-lo mais firme. 

  Qual altura meu cão pode saltar?

É fundamental respeitarmos a saúde de nossos cães antes de começarmos qualquer tipo de treino físico. O Agility requer que os cães saltem e isso exige um esforço grande da estrutura deles e assim podem se machucar. Para evitarmos acidentes, precisamos agir de forma responsável e segura para nossos cães.

De acordo com o regulamento da FCI, existem 3 categorias:

PEQUENO: Cães saltam de 25 até 35cm.
MÉDIO: Cães saltam de 35cm até 45 cm.
GRANDE: Cães saltem de 55m até 65 cm.

Para descobrir o quanto seu cão pode saltar, você precisa medir a altura da cernelha dele até o chão. 

P (pequeno/midi): Para cães medindo menos de 35cm na cernelha
M (médio/midi): Para cães medindo de 35cm até menos de 43cm na cernelha
G (grande/standard): Para cães medindo de 43cm em diante

AVISO: Antes de começar qualquer tipo de exercício físico com o seu cão, procure um VETERINÁRIO de confiança para checar a saúde do seu animal e ver se está tudo ok. 
 

Cernelha(em vermelho): do chão até o ombro do cão

Quando decidi que iria praticar o esporte com o Java, meu Border Collie, tive muita sorte de ter amigos que já estavam inseridos no Agility e que me pegaram pela mão e me mostraram as inúmeras possibilidades que eu tinha para conseguir treinar o meu cão.

Porém, sei que a realidade de muitas pessoas não é essa. A maioria das pessoas descobre o Agility na televisão ou quando se deparam, sem querer, com uma prova que está rolando em algum lugar. Assistem ao espetáculo, acham bacana, mas não sabem que elas mesmas podem praticar com seus cães...ou, quando vão atrás, não encontram escolas de agility perto e etc.

O Agility é um esporte segregado e precisamos mudar isso se quisermos ver mudanças a longo prazo. Escolas de Agility são muito importantes para o aprendizado do esporte para duplas iniciantes e  avançadas, porém, acredito que muito do treino de um cão pode - E DEVE - ser feito em casa (com os devidos cuidados).

Penso que a acessibilidade a informação é o primeiro passo para que o esporte continue a crescer e mais pessoas se encantem com essa maluquice toda que é correr com seu cão por 30 segundos em uma pista cheia de obstáculos.


Minha contribuição está aí!
Obrigada, Marcela Françoso, por todas as dicas que me deu quando fui fazer meus primeiros saltos!
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Se você têm preguiça de colocar a mão na massa pra dar uma economizada e prefere comprar um salto pronto, o Eduardo Ferreira é o cara dos obstáculos de Agility no Brasil. Entrem em contato com ele e peçam um orçamento.  Os obstáculos dele têm muita qualidade e, inclusive, comprei meu túnel com ele!

4.5.15

A Saga do Slalom (Parte 2)

Vamos lá! Como prometido, resolvi concluir as postagens sobre o treino de Slalom do Javolino.

No primeiro post eu falei como iniciei o slalom do Java com o método do canal/corredor, sobre as dificuldades e da decisão de buscar um outro método para refazer o treino do obstáculo, já que não conseguíamos progredir por inúmeros motivos.

Javolino e uma base 2x2 posando para foto.
Esse post fala sobre o método que acabou funcionando para nós, o 2x2.

Conheci o método através do canal no Youtube  da Susan Garret, uma treinadora canadense bastante famosa. Eu não compreendia o método, mas sempre achei interessante e tinha curiosidade para saber como funcionava. Porém, nunca considerei ensinar slalom com 2x2 para o Java, pois eu acreditava que o método poderia fazer o cão "pensar demais" e acabar lento, como eu já havia ouvido falar.

MAS, ao me encontrar em um estado de nervos, frustrada com o método do canal/corredor, resolvi que daria uma chance ao 2x2, minha última escolha.


                SOBRE O MÉTODO 2X2

O método do 2x2 propõe que o treino de slalom seja feito de forma muito gradual, com critérios bastante claros para o cão. Você inicia o treino com somente uma base (2 varas) e, conforme o treino progredir , você adiciona novas bases até chegar nas benditas 12 varas.

Aviso: Esse método é originalmente ensinado através de Shaping, ou seja, você espera o cão oferecer o comportamento que você quer e recompensa. Você força o cão a pensar nas escolhas dele, especialmente nas entradas do slalom.

O treino começa com uma base e o cão de frente para ela. Assim que o cão passar entre as varas, você o recompensa na direção da linha imaginária (como no desenho). Assim que o cão compreender que precisa passar pelas varas para ser recompensado, você já pode angular levemente a base no sentido anti-horário, para que o cão comece a assimilar que existe um lado certo para entrar no slalom (lado direito). Feito isso, você se posiciona ao longo do círculo e manda o cão passar pela base, para trabalhar diversas angulações de entrada do slalom.

Tentativa de explicar com desenhos.
Conforme o treino progredir e o cão estiver com uma porcentagem alta de acerto, uns 80%, você adiciona mais uma base, inicialmente distante, e muda seu critério para que agora o cão passe pelas duas bases. É importante sempre recompensar na linha imaginária e mandar o cão para o slalom de várias direções.

O próximo passo é fechar essas bases gradativamente, levando em conta o tempo do cão e taxa de acerto, até que você tenha 4 varas em linha reta e seu cão esteja desviando das barras, fazendo o zigue-zague. Depois que você tem as 4 varas, chegar em 6 é bastante simples; basta adicionar uma base levemente angulada após as bases fechadas, para ajudar o cão quando você aumentar o critério. Aos poucos, essa terceira base deve ser fechada também.

Para chegar em 12 varas, a Susan Garret posiciona em linha reta dois slaloms de 6 varas (ou 3 bases) com certa distância entre eles, pede para que o cão passe pelo primeiro slalom, recompensa e aí pede para que ele passe no segundo slalom. Aos poucos ela diminui a distância entre os slaloms e espera que o cão passe pelas 12 varas sem a recompensa entre eles. Eu imagino que adicionar as bases separadamente também deve funcionar.

Pra quem quiser ter informações precisas sobre como treinar com o 2x2, sugiro conseguir o DVD da Susan Garret ou procurar vídeos no Youtube.

Prós: Foco muito grande nas entradas de slalom, pois faz o cão pensar em como deve abordar o obstáculo desde cedo, sem ajuda do condutor ou de telas. Além disso, é um método bastante criterioso, com tudo bem dividido. Você pode trabalhar elementos difíceis separadamente, como entradas ou saídas com o slalom de 6 varas, sem problemas, antes de pedir as mesmas entradas e saídas em 12 varas. Assim você consegue dificultar o treino sem exigir mais do que seu cão está preparado para oferecer. Ah, e dá pra você levar as bases pra treinar em qualquer lugar com tranquilidade.

Contras: Entradas lentas ou slalom lento, se o cão não tiver certeza do que deve fazer ou se o treino não for bem equilibrado e interessante. A velocidade nesse método costuma vir depois que o cão ganha confiança e compreende o que deve fazer, não antes.

 JAVA E O 2X2


Ufa! Vamos ao que interessa! Como foi, deu certo?

Eu já havia dado spoiler no último post: SIM, deu certo! E repito quantas vezes eu quiser, porque só quem acompanhou de perto sabe o quanto foi sofrido todo o processo.

Gostei muito do método, embora eu admita que rolaram vários momentos de neura com a lentidão do Java com algumas entradas ou em momentos de erro seguido de erro. Sempre me preocupo com o Java e, para mim, é muito importante que ele esteja motivado e sendo reforçado o máximo possível para que ele não fique borocoxô durante o treino.

Senti muita dificuldade em equilibrar o treinos de 2x2, para que fossem desafiadores mas não extremamente frustrantes. Esse foi o ponto mais difícil para mim, já que eu e meu cão somos bastante sensíveis. haha Tivemos  alguns retrocessos, dias em que o Java parecia esquecer entradas que ele já havia feito e ficava no modo Border tiltado. Não foi nada grave ou desesperador como havia ocorrido com os treinos de canal/corredor e tudo foi caminhando.

Fechar as 4 varas foi o mais difícil, depois foi bem tranquilo chegar em 6. O Java fez as 12 varas pela primeira vez com um empurrãozinho(ou pressão haha) do professor José Luis Mito Filho, que me fez passar o Java no slalom completo algumas vezes, para ver se conseguiríamos que ele fizesse. Deu certo depois de algumas saídas no meio do slalom e pilhadas com a voz, para mantê-lo no slalom. Valeu, Zé!

CONCLUSÃO SOBRE O MÉTODO 2X2

Gostei muito e usaria de novo! Não só porque funcionou pra nós, mas por achar o método bastante prático. Não precisei de um slalom oficial ou de um slalom específico para treino, já que mandei um serralheiro fazer as bases para mim. Saiu barato e consegui levar meu slalom para diversos lugares pra treinar o Java, inclusive na última prova do Brasileiro.


Acho que foi bom para eu aprender, na prática, algumas lições:

Velocidade sem controle, sem direcionamento, não chega a lugar algum,a não ser de cara com o poste/vara (coisa que o Java fez, antes de tentarmos o 2x2).

2º  Dar tempo para o cão. Só porque não está da forma que você quer ainda, não significa que você esteja no caminho errado. A confiança do Java só está aumentando e é nítida a diferença com que ele aborda a entrada slalom hoje, embora precisemos de muito treino ainda.

Não existe um método melhor que o outro, uma hora o cachorro entende e com a prática vai pegar o exercício. Porém, existem métodos mais interessantes para determinados tipos de cães e, pra descobrir qual é o melhor para o seu, tem que testar.

Não que sejam lições originais. Eu gosto de treinar por conta EXATAMENTE por isso, aprender na prática, poder viver as coisas e chegar as próprias conclusões, mesmo que alguém já tenha chegado lá antes de você. Só assim pro conhecimento enraizar na cuca.

O SLALOM TÁ PRONTO?

Não! Agora temos que trabalhar nas milhares de entradas possíveis, abordagens de obstáculos diferentes, vindo em velocidade, cruzadas, blinds e etc. Mas isso dá pra treinar com calma aos poucos.

Ah, preciso ficar menos histérica com o comando do slalom. Uma mudança seria bem vinda, meu cérebro aceitaria um pouco mais de ar enquanto corre.

O que precisamos trabalhar mais é na passada dele, abrir um pouquinho cada base, para ver se ele fará o single step no slalom.  Além disso, estamos tendo problemas de entrada quando treinamos em grama sintética, já que estamos acostumados a treinar em grama natural sempre, então preciso dar uma atenção especial a isso para que o Java aprenda a se coordenar melhor em pisos diferentes.

Enfim, conseguimos! Foi difícil e frustrante, uma verdadeira guerra! haha Mas foi muito legal ver o progresso do Java desde o começo do treino até o dia que ele fez as 12 varas pela primeira vez e o quanto aprendi com tudo isso.

Obrigada, Marcela, Luiza e Carol pela paciência de sempre com meus chororôs.hahaha

9.3.15

A saga do Slalom (Parte 1)

Aviso: Esse post está repleto de oscilações de humor, ódio, amor, esperança, desolação, mas o final é feliz. (eu acho)

A minha relação com o slalom não começou de forma feliz desde a primeira vez que me deparei com o obstáculo quando conduzi o Kadu, da Marcela Françoso, em um match. Nas duas pistas que fiz com ele, não sabia como me posicionar pra mandá-lo pro obstáculo sem que ele errasse a entrada.

Claro, foi a primeira vez que pisei em uma pista de agility; nunca tinha conduzido, mas algo me diz que o slalom já queria me zoar desde aquele dia.

A saga começou quando dei início ao treino de slalom do Java por volta de Outubro do ano passado, quando ele tinha uns 10 meses. Eu havia decidido treinar com o método do canal/corredor, já que parecia ser a melhor opção para o Java na época, pois método do canal envolve muita correria e menos raciocínio do cachorro, inicialmente. Como eu julgava o Java um cão menos motivado, pensei que esse seria o caminho ideal pra nós, mas acabei descobrindo muitas coisas que eu não esperava no meio do caminho...

SOBRE O MÉTODO DO CANAL

A maioria das pessoas que acompanha o blog, os agilitistas  (é assim que fala?), conhecem o método, mas vou explicar um pouco sobre o processo para os outros, que não tem a menor ideia do que estou falando.

Método do Canal
Essa forma de treinar slalom consiste em criar um corredor de varas/canos em sequência para que seu cão aprenda a passar por ele. Conforme o treino avança e o cão entende que precisa ir até o fim do corredor para ganhar sua recompensa, você diminui o espaçamento entre as varas e estreita o corredor gradativamente. Aos poucos, a movimentação em linha reta do cão se torna impossível e faz com que ele busque uma nova mecânica pra passar por esse corredor que, no caso, seria o movimento de zigue-zague.

 Existem vários tipos de slalom criados especialmente para ensinar com esse método, assim como também é possível treinar na grama natural, se utilizar estacas de ferro no chão para segurar os canos.

Além dessas variações do slalom, muitas pessoas utilizam, também, as ajudas ou telas pra evitar que o cão cometa erros durante o treino. Aqui vou comentar o treino sem o uso das ajudas e telas, porque não foi assim que treinei e prefiro falar só sobre o que testei e compartilhar minha experiência como treinadora novata de agility.

Java passando pelo corredor de varas
Prós: O método é defendido por muitos pois cria um valor muito grande pelo obstáculo e ensina o cão a ser rápido logo de cara. Além disso, dizem que ensina naturalmente uma passada muito eficiente para cães grandes ( o single step).

Contras: O cão parece errar menos com o método do canal, principalmente no início, mas também demora mais pra entender a lógica do treino. Como o método ensina o cão a entrar no corredor em velocidade, mega motivado, pode acontecer do cão errar muito a entrada do slalom quando o corredor fica mais estreito, por não ter o critério de entrada tão claro na cabeça ainda.


JAVA E O MÉTODO DO CANAL

Agora, o que realmente interessa: a aplicação do método.

Spoiler Alert: Não rolou.

Já digo de antemão que não acho que soube treinar com esse método. Não culpo o canal pelo verdadeiro desastre que foi treinar o slalom do Java assim.

Quando comecei a treinar com o método do canal, eu estava mais focada em trabalhar os saltos do Java e fundamentos do 2on2off para as zonas de contato. Dessa forma, os treinos de slalom ficaram perdido em meio aos outros treinos. O resultado disso? Fiquei muito tempo com o corredor super aberto e talvez tenha sido isso que tenha ajudado a criar alguns dos pepinos que só cresceram depois, no decorrer dos treinos.

O Java, porém, AMOU o método. Por ele, estaria até agora brincando de corredor. O pintado em questão corria como um míssil, louco para pegar sua bolinha no final da brincadeira. E, sério, quando uso um propulsor bélico, feito para matar, pra definir o que meu cachorro estava fazendo no treino, não é pra fazer graça....

Pepino nº1
O Java decidiu que o objetivo dele era chegar no fim do corredor o mais rápido possível, sem desviar, atropelando todas as varas na frente dele, se enganchando e quebrando elas no meio do caminho. Até hoje não entendo como ele conseguia se manter no corredor quase fechado, correndo e NÃO fazendo o movimento de zigue-zague. Segue o mistério...

Pepino nº2
Não consegui conciliar os treinos de entrada de slalom com o fechamento do corredor, então não conseguíamos avançar da forma esperada. Até cogitei o uso das ajudas, ou mesmo da tela, pra resolver esse problema, mas por alguns motivos (do tipo preguiça) decidi que eu não queria ir atrás pra comprar, nem ter que fazer o fade das ajudas depois.

Pepino nº3
Gambiarras. A verdade é que eu não entendo como outras pessoas com cães maiores conseguem treinar o método do corredor com as varas presas na terra, porque as varas saem voando, abrem, chega a ser bizarro. Era frustrante ter que arrumar o slalom a cada vez que o Java passava, ou mesmo repor algum cano quebrado. Ele aprendeu a empurrar as varas e isso não foi nada produtivo pro treino, nem pro meu bolso! (y)

CONCLUSÃO SOBRE O  MÉTODO DO CANAL

Nenhuma. haha Não desgosto do método, acho que só tive má sorte de não saber treinar no ritmo que deveria e não consegui lidar com os pepinos que surgiram. Eu não sou do tipo que defende religiosamente uma técnica ou uma forma de pensar; gosto de testar as coisas e adaptar. Só porque não funcionou pra mim, com o Java, não quer dizer que não vá funcionar com outros cães e condutores.Eu tentaria de novo o método do canal com outro cão. Talvez tenha faltado o equipamento certo, a percepção pra saber como progredir.

Eu subjuguei o Java. Pensei que ele precisava correr a qualquer custo e pensar menos, mas esse foi o nosso maior erro ao abordar o método, já que ele se mostrou um verdadeiro destruidor de slalom. Admito que, por trás da frustração de não ver o treino evoluir, a cada vara que ele quebrava, algo quase primitivo dentro de mim se manifestava e me fazia amar o Java, porque a bem da verdade era que eu queria triturar o slalom, queimar numa pilha e dançar ao redor, como num ritual de desapego.

No vídeo abaixo: o Java faz a passada, começa a oferecer um pouco da movimentação esperada, mas logo desanda e ele volta a atropelar as varas. Depois desse treino, os atropelamentos aumentaram e ele até chegou a pular o slalom. Foi aí que bateu mais forte o sentimento de " Oh Shit!"

E, vai saber, quem sabe se eu tivesse insistido, tivesse saído? Eu não estava com disposição emocional pra descobrir. Eu precisava de algo novo, que me desse esperanças de que, um dia, o meu querido marrom com pintas viria a saber slalom.

E foi aí que eu mudei de método e fui atrás do 2x2 da Susan Garret, um método completamente oposto ao do corredor e que muita gente critica.

Foram outros desafios, também não foi fácil, mas todo o treino do 2x2 fica pro próximo post, porque esse já ficou longo demais e ainda tem muito pra falar e pessoas pra citar.

Spoiler Alert: Deu certo.



18.12.14

TÚNEL, TÚNEL, TÚNEL!!!!

Vinte vezes! Essa deve ter sido a quantidade de vezes que falei túnel durante a prova de túneis no Espaço Ducão, no final de semana passado...foram tantos, tantos, que até hoje, cinco dias depois, estou falando túneis, sonhando com túneis e vendo túneis em qualquer lugar. Na verdade, o negócio ficou tão sério que ao dirigir e ver um túnel na minha frente, ascende uma faísca que me faz acelerar (compulsivamente) e gastar meus pneus até encontrar a saída e descobrir o que vem depois dali.

Javolino saíndo do túnel
Foto: Luciana Spinelli
É assim que o Java deve se sentir quando vê um túnel. Meu marrom pintado é aquilo que poderíamos comumente chamar de maníaco do túnel no meio do Agility. Ele é do tipo que vê um túnel e desmaia de tanta emoção. Tem quem veja isso como um problema, um buraco negro sugador de cães, mas eu não...eu acho o máximo, porque também sou maníaca dos túneis (e vou explicar o motivo).

Em pista, entendo que a probabilidade de ser abandonada com expressão de feijão envergonhado,  aumenta consideravelmente quando seu cão é apaixonado demasiadamente por um obstáculo. Enquanto você corre, ele pode, simplesmente, decidir que você não é tão divertida como aquela safona engraçada, caso você atrase um comando ou não passe a informação que ele precisa pra continuar. Admito que eu também faria a mesma coisa. haha

Posso estar enganada, já que sou noob do Agility, mas tenho a impressão de que o problema não é a paixão em excesso pelo túnel mas, sim, a forma como a gente lida com isso.

Antes de entrar no Agility, eu estudava muito sobre comportamento e como modificá-lo ao nosso favor. Algo que me ajudou muito no passado com o meu outro cão, foi o Princípio de Premack, que, definitivamente, pode servir para o treino de cães como o Java, loucos por túneis. Resumidamente: você ensina o cão que ele precisa primeiro fazer algo que VOCÊ quer, para ele ter acesso ao que ELE quer.

Túneis também são ótimos pra tirar fotos. (Audi e Java)




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Recomendo o texto da minha parceira de temakis, a Anna Carolina Engelke, para quem quiser saber mais sobre Premack e como aplicar nos treinos: O Princípio de Premack
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Agora, qual o motivo da minha paixão pelos túneis?

Bem, é simples. O primeiro obstáculo que o Java aprendeu foi o túnel. Desde cedo ele associou que o túnel significa que vamos brincar, que eu jogaria a bolinha pra ele; então foi muito fácil fazê-lo gostar do obstáculo.

Túneis sempre fizeram o Java dar mais velocidade do que ele estava acostumado a oferecer durante os treinos quando ele era mais jovem. Por sorte, tive a possibilidade de treiná-lo em casa com um ou dois túneis sempre que treinava as voltinhas nos saltos, pequenas sequências e, com certeza, ajudou muito para melhorar a motivação dele, assim como exercícios com mais retas, em que ele podia "explodir" mais.

A prova de túneis foi muito legal justamente por isso! Os cães puderam se soltar, correr e surtar a cada túnel que mandávamos em sequência. O Java, mesmo, estava emocionado e fiquei muito feliz com a velocidade dele nessa brincadeira.

O mais legal dessa prova é que os cães não precisam ter mais de 18 meses para competir. Filhotes também podem! Ou seja, acostuma o cão a trabalhar com você em um ambiente de prova e estimula a velocidade desde cedo!



Não acho que isso é algo próprio do Java. Penso que a maioria dos cães, se fizerem essa associação bacana com túneis desde cedo, aprendem a amar o obstáculo e a fazerem com mais velocidade e motivação. E isso acaba transferindo para os outros obstáculos, também.

É por isso que amo túneis...e, claro, porque eles são lindos e coloridos! :B Se eu tivesse condiçõe$, eu teria uns três em casa!

Fica aqui meu agradecimento ao José Luis, Leandro Gandini, Marcela Checchia e Julia Menezes por terem organizado uma prova tão legal e diferente, como foi essa dos túneis, e é tão comum em outros países. Foi uma experiência muito bacana e que poderia rolar mais aqui no Brasil.

14.12.14

O bichinho do agility

Verdade seja dita, praticamente não mexi nesse blog desde sua criação ou sequer fiz uma introdução pra ele. Porém, como toda boa blogueira, solto a vaga promessa de que tentarei manter uma certa frequência de posts. Pra ser sincera nem sei qual a relevância dos blogs atualmente mas admito que pouco me importa. O que me interessa é a possibilidade de registro, coisa que o blog ainda faz muito bem. Sei lá, eu poderia fazer um Tumblr, mas e a preguiça pra mudar tudo de lugar? Talvez eu ainda faça isso...

Bom, pra quem não me conhece e gostaria de saber o motivo da existência desse blog, leia aqui: Sobre Mim

Previously on Caroland:  
No final de 2013 minha família canina cresceu; coisa que não acontecia desde 2005, quando tinha meus 14 anos e havia acabado de ganhar o Nick (Sobre o Nick). O cão que veio pra mim dessa vez foi o Java, um Border Collie marrom e branco, cheio de pintinhas e lindo de morrer (cof cof).

Java e suas pintas! <3
Foto: Anna Carolina Engelke
Com o Java veio também um hobby, o Agility. Ok, um hobby não, minha mais nova obsessão e motivo de ruína finaceira. :) Quando peguei o meu marrom já tinha nos planos praticar esse esporte com ele, assim como frisbee e outras atividades, maaaaas, como tudo que você planeja raramente sai como o esperado, foi o bichinho do Agility que realmente nos "picou", como dizem os agiliteiros. Eu mesma já disse que emagreci por causa desse esporte, mas admito que poderia ter sido mais.... :P

Eu sabia que meu tempo livre e meus finais de semana jamais seriam os mesmos depois que conduzi o Kadu, da Marcela Françoso, em janeiro desse ano. (Valeu, Ma, por emprestar seu robô de bolinhas!)


  (já aprendi que não devemos fazer agility de All Star. Esse não é o tênis da moda no esporte)

Desde a chegada do Java, comecei a trabalhar com ele, ensinar os comandos básicos, truques e outros que seriam úteis pro Agility eventualmente. Consumi livros e DVDs aos montes sobre o assunto na tentativa de começarmos de uma forma produtiva e divertida tanto para o Java, como para mim. Dicas e sugestões, de amigos que já praticavam com seus cães, foram várias e definitivamente fizeram diferença nesse nosso começo. Posso dizer que estou bem assessorada para uma total noob no esporte. <3

Quando o Java fez 4 meses, começamos a brincar com túneis e saltos caseiros, feitos em PVC, no quintal de casa e em vários outros lugares, para que ele se acostumasse logo com a ideia de trabalhar em situações com sons, cheiros, pessoas e cães diferentes. Seguimos assim até o Java completar 6 meses, mais ou menos, quando decidi que era hora de ter aulas semanais em uma escola de agility, no Espaço Ducão, com o José Luis Filho (só Filho, não tem sobrenome kkk).

Javolino posando no 2on2off. Só posando, mesmo, porque
gangorra ele não faz (ainda)

Hoje o Java tem 1 ano e 2 meses (14 meses) e já começaram as perguntas a respeito da nossa estreia no Agility, mas ainda temos muito trabalho pela frente pra pensarmos nisso. Agora, com as férias, o plano é treinar mais e ensinar as coisas que faltam, que são muitas. Definitivamente, esse quase um ano de imersão no mundo do Agility tem sido bastante intenso, divertido e especial. As barreiras que venho encontrando nos treinos estão servindo de aprendizado tanto para o esporte, como para a vida, mesmo.

Como novata, já me sinto parte dessa loucura que tantos outros parecem compartilhar. Mesmo sem competir, fui a diversas provas para poder socializar(não só o Java!!!). Fiz alguns amigos que pretendo carregar comigo por um longo tempo e me considero uma humana feliz pelo que o Agility trouxe pra mim. Esse é só o começo.

Não vou mentir; já rolaram momentos em que tentei cortar os próprios pulsos com uma faquinha de rocambole, daquelas de plástico, inúteis. Então, é, vou mandar uma lambida do Java pra cada um dos amigos que tiveram paciência comigo (ou deram voadoras) em momentos de pânico. Vocês sabem quem são e que tem mais "mimimi" guardado pra vocês ainda! :B

Em outros posts pretendo falar mais sobre o Java, sobre nossos treinos, sobre as nóias, as dificuldades e todo o resto que acompanha o combo. Como disse, quero ter esse blog como registro pessoal mas vai que um dia ele ajuda alguém como eu, que também está começando?



12.6.13

Ilustrações Caninas: Rabinho Abanando




Galera, finalmente terminei o primeiro informativo de uma série de comportamento canino que estou fazendo. Este fala sobre Rabinhos Abanando e que nem sempre eles significam que o cão está feliz e é amigável. Acredito que este tipo de informação deve ser compartilhada para que mais pessoas aprendam a entender seus cães e evitem mordidas de animais desconhecidos.

Podem divulgar, imprimir e etc. Só não alterem as informações, vendam ou removam os créditos, pois, afinal, tive um certo trabalho para fazer a imagem. 

Mais imagens à caminho!

10.6.11

Conheça o Nick

Nome:Nick
Nome no pedigree: Spike de Feras do Universo
Nascimento:06/03/2005
Canil:Shimaya
Raça:Pug

Jamais encontrei as palavras certas para definir esse  macaquinho e o quanto ele é importante pra mim. Devo muito, mas muito mesmo, da minha saúde mental e formação a ele.

O Nick chegou em minha vida em 2005, ano em que descobri estar com um tumor(Linfoma de Hogkin) entre meu coração e pulmão e ele, sem dúvida alguma, me ajudou muito mais do que eu poderia imaginar.

Foi em um dia das mães que surgiu a suspeita de que havia algo errado comigo, pois, como minha prima havia notado, havia um "caroço" em meu pescoço que surgiu de repente. Acabei sendo internada no Domingo para poder, no dia seguinte, fazer uma biopsia e descobrir o que era aquilo. Passaram alguns dias e chegou a notícias de que eu estava doente.

Por mais bizarro que soe, eu não entendia a gravidade da situação...ou, se sabia, repudiava inconscientemente as ideias ruins que passavam pela minha cabeça. Fiquei triste como qualquer um ficaria, mas também imersa em meu mundinho fantasioso, como toda criança pra fugir da realidade. Tive diversas conversas com minha mãe, o resto da família e meu médico, mas uma em especial fez toda a diferença a partir de então. Eu contava ao médico que gostava muito de animais e que meu sonho maior era poder ter um outro cachorro novamente, mas que não podia, porque minha mãe não queria. O doutor Vicente, meu médico, por sua vez logo disse "Mas tem que ter cachorro". E foi a partir desse momento que minha vida mudou de uma forma que eu jamais poderia esperar.

Foi assim que o Nick foi parar em minha vida. Veio no momento em que eu mais precisava e preencheu um vazio enorme na minha vida.

Chegou filhotinho, com 2 meses de idade, todo bonachão e LOUCO por comida. Era o último filhote da ninhada, todo fora do padrão e tortinho, mas era perfeito para mim em toda sua imperfeição. Eu me via nele...uma criaturinha bem humorada,gulosa, imperfeita, doce e muitas vezes subestimada pelo que mostrava por fora.



Ele se tornou um grande companheiro pra mim. Comecei a por em prática todas as coisas que havia lido em livros, um ano antes de ganhar o Nick, e me surpreendi como era, sim, possível ensinar um cachorro. Fui me apaixonando mais e mais por adestramento conforme fui ensinando as coisas pra ele e, quando vi, ele já havia somado um vasto repertório de truques e se tornado o cão mais obediente que já tive. Acabei descobrindo infinitos fóruns e sites sobre adestramento e conheci muita gente dessa forma.


Além disso, o Nick serviu como estimulo para que eu aprendesse a fazer vídeos, editar e a ter mais contato com o mundo audiovisual, que eventualmente estaria ligado a minha profissão. Eu e o Nick acabamos nos tornando uma dupla muito "multifuncional" e aparecemos em programas de TV, em sites e até em propaganda.

Tenho uma dívida com ele muito grande, por ter me ajudado nos momentos em que eu precisava, embora ele não saiba disso...Sem dúvida alguma, esse é o cão que mais me ensinou até agora e definitivamente representa uma parte muito importante da minha juventude.

Vídeos do Nick:

Entrevista para o Globo Repórter


Making Of do comercial da Revolution


Introduções



Meu nome é Caroline Raquel de Oliveira. Nasci no dia 19 de maio de 1991, para infelicidade bancária de meus pais e alegria pessoal deles e da família. Nasci na grande cidade de São Paulo, mas fui criada no condado chamado Guarulhos, onde todo mundo se conhece.

Tive uma boa formação escolar, embora jamais tenha sido a aluna favorita ou a mais brilhante, mas isso não me impediu de criar um blog para falar sobre o pouco das coisas que sei (ou que acho que sei) ou que quero entender.]

Minha infância foi maravilhosa e, se pudesse, continuaria nela pelo resto da vida. É. Foi durante essa fase da minha vida que descobri duas paixões: animais e arte. Sempre gostei de tudo que envolvesse bichos, sujeira e criatividade.

Desde bem pequena tive cães, de daschunds, weimaraners, vira-latas ao pug e border collie que tenho hoje. Mas nem sempre foi assim. Teve uma fase em que não pude ter cães por conta dos meus pais, que não queriam.Curiosamente, foi graças a uma infelicidade em minha vida que consegui uma das melhores coisas que já me aconteceram.

Aos 14 anos  descobri que estava doente, com um tipo de câncer que precisava ser tratado através de quimioterapia e radioterapia. Essa notícia abalou toda a família e trouxe muitos momentos de dor e sacrifício. Deixei de fazer muitas coisas que adolescentes normalmente fariam, pois não podia.

Mas eu podia ter um cão.A doença foi a deixa necessária para que eu conseguisse o que eu queria há tanto tempo. Devido as condições, minha mãe não poderia negar um pedido desses.

O Nick, meu pug, foi a melhor coisa que me aconteceu naquela época e devo muito da minha cura a ele. Ter um cão para me distrair durante o período de 1 ano e meio foi fundamental para eu não enlouquecer e aprender um bocado de coisas. Foi a partir desse momento que passei a dedicar grande parte do tempo, que não me faltava, para aprender sobre cães e a como me comunicar com eles. Comecei a ler uma vasta quantidade de livros, artigos, a participar de fóruns e a fazer amizades. Foi assim que me enfiei no universo dos cães e da ciência do comportamento.


Hoje,já curada, me dedico à arte, pois sonho em trabalhar no ramo do cinema de animação. Por conta dos cursos, trabalho, estudos e crises existenciais passei a me dedicar menos aos cães e ao adestramento, o que me deixou bastante infeliz. É por conta disso que voltei para esse mundo cheio de pêlos e baba. O objetivo desse blog é relatar experiências com os meus cães e tentar entendê-los melhor.

Criei o blog para ter um lugar onde arquivar o que estou aprendendo e testar teorias ou métodos diversos.

Epero que gostem do blog!

-Carol